Se havia coisa que irritava era a maldita piedade. O homem a havia chamado de puta, ofendido com a sinceridade. Não porque havia o chamado de idiota, consciente da obrigação que era amar os idiotas, mas por admitir que seu pinto é insuficiente. E o amor não pode ser nada além do que compaixão e tristeza, como o homem bêbado, alucinado e entregue à poesia fácil de qualquer prazer. Havia ali, como as colônias que se formavam sobre a pele, os pequenos seres disfarçados de pintas e que, ao final, se mostravam brancos e gordos, alimentados. Os pelos dos olhos e do nariz arrepiados de repugnância, a pressa da morte e de seus convivas, tomando assento para a refeição, enquanto o corpo ainda saltita, sem cabeça. Sabia que doía. E achava justo que assim fosse. Só por nojo eles se limpam e adiam a decomposição do que os guarda e atribuem lugares e maneiras às coisas de dentro e de fora. Amava porque ele se sentava nas pálpebras e balançava as pernas, apontando as insignificâncias de cada um. Porque não tinha escolha e gostava de respirar, esse ar de fumaça. Sabia que doía, mas o espremeria. Para que estivesse inteiro.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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