ácido valpróico, lítio e bolinhos de chuva
Recomendado somente sob prescrição.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
Rede de apanhar borboletas
segunda-feira, 12 de julho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
nêga
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Entorpecimento literário
domingo, 11 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Todas as vezes que ia ao banheiro se lembrava de quem era. E às vezes se sentava, em qualquer lugar, e pensava nas coisas até que o cachorro latisse. Mais cedo ou mais tarde o calor faria com que saísse. Havia o cheiro e o espelho. Trocaria os pelos por escamas e de novo era o que foi, ali, naquele lugar.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Rebeldia
Recuso-me aos sacrifícios.
Só ao que desejo pertence meu sangue e meu calor.
Sou ovelha, mas sou negra.
terça-feira, 28 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Folhas se soltando, muitas orelhas e manchas, muitas manchas. De tinta, de sujeira, do tempo passando. A poeira que encobre as coisas mas que também faz espirrar. E é pra isso que servem os descongestionantes, para que se possa fumar, dizer e apaixonar. Ao cansaço. Por quantos de nós cada um é? A força que infla o peito faz lembrar o atleticano de dois anos, que nem pombo, galo sote e zingador! No canto e no grito, tudo o que se é.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Dormiu pouco na noite anterior e já conhecia a sensação que se acentuava, mais desejosa a cada dia, à espera dos acontecimentos. Naquele dia o tempo estava bom, um calor gostoso mas que pouco valeu por conta do amuamento. Não havia dito nada. Movia-se, no mesmo princípio do dia em que completava as voltas que ainda daria, caso o planeta se acabasse num feriado. E naquele lugar, nos feriados, nada abria. Esperava que alguma coisa fosse dita logo cedo, que é melhor, pensava. Mas é diante da experiência que a linguagem se constrói, para os homens. Os seres de silêncio se conjugam em todos os tempos.
domingo, 12 de julho de 2009
Em algumas manhãs, todo o sentido da vida era molhar terra e sementes e receber o afago do gato, testemunha do mesmo milagre, não manchado pela intenção ou pela necessidade de se explicar. O mesmo gato que agora ouve um discurso sobre a importância de que tratamentos alopáticos não sejam interrompidos e sobre a eficiência de analgésicos e antibióticos. Por ter recebido afago sentia o peso de um amor que lhe abriria à força a boca, a despeito do vômito e da revolta, fazendo descer pela garganta o comprimido.
Violação de direitos
Sim, agora me detenho mais ao significado de ‘direito autoral’, ou ‘intelectual’, como dito em uma notificação. E penso que, para esses seres virtuais que somos, nada disso existe. O entendido de alguns pedaços desse mundo particular que é de todos, às 08h49min a.m, 12 de julho, de 2009, em que, ainda, o que torna possível e compreensível um sou, um poder ser, é o outro, o que, naquele momento ali estava dito, em 1987 e no antes. A inteligência é pedra em que as intelectualidades tropeçam e é na lei que não se infrinje que existe o tombo. E quem será responsabilizado pelas infrações ao nosso direito de sentir? Alguns mudos só o são por serem surdos.
Voz: Nina Simone
Animação: Peter Lord
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Se havia coisa que irritava era a maldita piedade. O homem a havia chamado de puta, ofendido com a sinceridade. Não porque havia o chamado de idiota, consciente da obrigação que era amar os idiotas, mas por admitir que seu pinto é insuficiente. E o amor não pode ser nada além do que compaixão e tristeza, como o homem bêbado, alucinado e entregue à poesia fácil de qualquer prazer. Havia ali, como as colônias que se formavam sobre a pele, os pequenos seres disfarçados de pintas e que, ao final, se mostravam brancos e gordos, alimentados. Os pelos dos olhos e do nariz arrepiados de repugnância, a pressa da morte e de seus convivas, tomando assento para a refeição, enquanto o corpo ainda saltita, sem cabeça. Sabia que doía. E achava justo que assim fosse. Só por nojo eles se limpam e adiam a decomposição do que os guarda e atribuem lugares e maneiras às coisas de dentro e de fora. Amava porque ele se sentava nas pálpebras e balançava as pernas, apontando as insignificâncias de cada um. Porque não tinha escolha e gostava de respirar, esse ar de fumaça. Sabia que doía, mas o espremeria. Para que estivesse inteiro.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Desorganização
Era o que disfarçavam as gavetas cuidadosamente limpas e arrumadas. As peças separadas por cores e circunstâncias. Cheirava bem.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Ausência de uma bóia
Porque se digo é com minha própria voz e minha fala é assim mesmo, estabanada e desajeitada. No fim só restará lembrança é dos braços, tanto que gesticulavam. Parecia afogamento.
E noite digo. E embora sinta possível o feliz, como medicamento ao alcance da mão e, mais do que o fim, começo, com ele não sacio minha insatisfação. Certa noite ela veio, para buscar. Fez pirraça, demorando tanto... encontraria o caminho sozinha. Não quis ir? Pois que fosse, e se o querer mudasse de idéia, que voltasse. Mas ainda são necessárias essas paisagens de pobreza para que sejam cultivadas as farturas e não tornei a ver-lhes a sombra. Sobre os olhos ficou a poeira da rua, como fotografia, guardada no álbum de memórias em que se transformou todo o resto. E de novo o cão morria pelas mãos de quem o amava. E não poderia dizer já que a isso se dedicam os loucos e os que se calam. Imensurável é a liberdade da solidão e o monólogo da sua afirmação, escapado na tentativa de outro. E algumas vezes ela vem, feito cão magro, lambendo a mão com a lembrança de enxotar, ainda assim, ainda não. Restaria um destino de nome a cumprir e, por ser grama, não saberia ser junto ao que é suposição além de si. Toda a verdade que sabia era a da chuva, do sol e da vontade de brotar.
Os desejos permanecem por sua ausência e das impossíveis alegrias surge a de reconhecer rostos e rotas. Só saía do quarto depois de morta, enquanto cultivava paixões por personagens, o cavaleiro solitário, homem deprimido ao constatar a ansiedade dos de sua espécie em matar mais rápido e em maior quantidade. Só depois escreveriam mais rápido. E por amor digo que de nada serve à escrita a velocidade. Lenta e vagarosa, se destina ao depois de um já sido, acontece quando é tarde demais. Alinhavo de rupturas e esgarçamentos. E se escrevo é só por ter mãos e por, das coisas feitas pelos homens, sempre buscar as marginais. E amaldiçoados são todos os poetas porque no começo era a vogal, o grunhido, o susto em dizer. E em mim chuva sempre foi verbo. E sonho. E delírio.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Alimento dentro da cuia e com flor
Reação a que os corpos estão expostos, pelo contato com outros corpos, da mesma e das mais variadas espécies. Sim, como as gripes. Pneumonias, alergias, histerias, orgasmos, deslumbramentos. A busca pelas alturas dos abismos e olhar para o fundo das coisas. Os que estão sob contágio apresentam um padrão hormonal e psíquico mas com reações das mais diversas. Como as causas. Muito já foi inventariado e catalogado, e ainda será por ser o individuo mais novo o extremo da potencialidade de sua espécie. Fortalece se saber fraco frente ao outro. Pulsar descompassado buscando ritmo de vida que suspire, espreguice e sinta a força de brotar que é o abraço amoroso do sol. É o que faz pensamento buscar explicação porque a tudo se complica se difícil já é a opção de se cumprir. É engolir o outro, ruminar o outro, vomitar o eu e, junto, a ilusão. A desilusão é presente como casulo rompido. A paz do mandruvá.
sábado, 13 de junho de 2009
E o que mais senão o já conhecido e vivido poderia ser tão forte e me tirar do em que me agarro e me mantenho atada como sina e profecia? E dos oráculos, nenhum teve ainda a potência de uma voz infantil que disse, quero esse. Esse não pode? Fico sem nenhum porque não quero o que não quer o meu querer. E assim é. O desejo da voz. Aquela cansada e que se oferece em sacrifício e oferenda. A que escorre como vida, dor e veneno, remédio e cura. A que empurra de barranco em meio à chuva que a tudo dissolve e faz de todos terra de ser coisa. A voz que torna o ouvido rio livre de represas, que corre e leva em sua força o desejo de mais. E de mar. A voz que me livra de mim e do que fui. A voz que me faz sincera e aberta ao amor e ao abandono e, de ambos, ciente da dimensão e do limite.